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Tudo o que poderíamos ter sido tu e eu se não fossemos tu e eu.

Aquilo que me prendeu neste livro foi o titulo que me deixou confusa e a persistência que o meu irmão tinha em querer lê-lo. O título remeteu-me para uma história de amor e acertei, não de todo porque não é um típico romance piroso nem nada que se pareça. Nem sequer é uma história de amor namorado-namorada. Tem muito a haver com a família com a nossa outra vida, os nosso dons, a paixão, a morte e algo que me encantou no protagonista, o Marcos, foi que era uma pessoa extremamente pensativa que pensava sobre tudo e sobre nada, que era claro e que era intrigante, empolgante e de certa forma enfeitiçou-me. 

Num futuro próximo e numa cidade espanhola onde são poucos os que conservam o seu sono e que têm a sua dose de interrupção durante os vários dias, enquanto outros trabalham toda a noite e não têm o conforto de se refugiarem no Vale dos Lençóis e esquecerem o mundo real por uma horas é a sociedade onde Marcos vive e é aí que se passa a história. É nessa sociedade que encontra uma rapariga, a "Rapariga do Espanhol", que ama, e que amou noutra vida por terem uma cumplicidade e uma ligação abismal que um casal não tem, por muito apaixonados, amigos e tudo aquilo que sejam. Só não gostei muito de umas partes que pareciam ter sido retirados de um livro de ficção cientifica (já que não sou a maior fã desse género), mas o livro superou e muito as minhas expectativas. E as minhas partes favoritas foram as em que Marcos recordava a mãe e tudo o que aprendeu com ela, tudo o que lhe ensinou e tudo o que a senhora era e tudo o que esta significava. 

Deixou-me a pensar e devorei-o em três dias e custou - muito - a virar a ultima página. Tudo o que poderíamos ter sido tu e eu se não fossemos tu e eu para ler sempre que for possível. O Albert Espinosa e um pequeno géniozinho e criou uma obra fantástica que recomendo, hoje e aqui, a toda a gente pelo bom uso das palavras e pela banalidade.

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