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TRAVEL GUIDE: BUDAPESTE | Invisible Exibition

Invisible Exibition foi algo que eu nunca tinha experimentado antes. É uma exposição em forma de sensibilização pelos invisuais onde aprendemos imenso como é um dia normal no dia de um cego ou de alguém com problemas visuais. A Invisible Exibition é um exposição totalmente às escuras, podias estar de olhos abertos ou fechados que era igual. Estava escuro como  o breu de modo a que não fizéssemos a mínima ideia de onde estávamos, de quem estava connosco ou no que raio estávamos a tocar. A sala escura - e gigante! -  era um apartamento e nós calcávamos as paredes, descobríamos o piano e tocávamos, abríamos o forno, atirávamos-nos para o sofá e mexíamos em absolutamente tudo de modo a descobrir o que era. Esta experiência obrigou-nos a activar todos os nossos restantes sentidos e achei que tinha sido uma exposição brilhante. Para além do apartamento, fomos levados por uma "estrada" para compreender como é que estes as atravessam e ainda nos levaram a uma casa de campo com imensas texturas diferentes e montes de coisas estranhas para identificar com o tacto. Foi cerca de uma hora na câmara escura tanto que já nos conseguíamos reconhecer pelo tacto da nossa roupa, sem sequer falarmos. Não se assustem, as arestas estão limadas de modo a que ninguém se magoe mas é sempre preciso cuidado!

Já na luz, no exterior, temos um labirinto, um bastão e uma venda para o percorrer e para além disso, a nossa guia, que era uma invisual explicou-nos como é que fazem tudo, mostrou-nos jogos de tabuleiro e a forma como os adaptaram, falámos de imensos temas à volta do assunto mas aquele que sem duvida mais me prendeu foi como é que os cegos sonham. Achei extremamente interessante e recomendo mesmo que vão. Sei que não há somente na Hungria, mas na Polónia, na Republica Checa e em mais alguns países, é uma questão de procurar! Despertou-nos sem dúvida para este mundo e foi uma experiência única e super divertida e enriquecedora!




FILMES | A Bela e o Monstro

A Bela e o Monstro foi um dos clássicos Disney que mais marcou presença na minha infância e não poderia por nada deixar passar o remake deste clássico! A Bela é das minhas princesas favoritas  e a mensagem que a história passa é das mais bonitas, que não importa a beleza exterior mas sim interior. Antes de me dirigir ao cinema fiz o trabalho de casa (que adoro fazer quando os filmes são remakes) que é ver o filme original para poder comparar. Com isto pude concluir que são muito semelhantes, a versão com pessoas a sério é muito fiel à original, nas músicas (que se mantém as da nossa infância e outras feitas para este filme), no guarda-roupa, nas falas, nos gestos..! No geral não saiu muito da linha d'A Bela e o Monstro que todos conhecemos apesar de haver partes em que se alterou um bocadinho para dar mais acção e ênfase ao enredo, muito bem pensado.

Já me tinha apaixonado pela ideia deste filme cujo enredo já nos é familiar (e por isso não vou divagar muito neste campo) e quando anunciaram que a Emma Watson faria de Bela fiquei radiante! É uma actriz e uma mulher que admiro imenso e para mim o papel de Bela encaixou nela que nem uma luva! Todos os actores estiveram lindamente. Para além disso há que salientar os cenários tão belos tanto na aldeia típica provinciana francesa de onde Bela é residente tanto no castelo lindo e majestoso assim num estilo barroco bem extravagante, detalhado e exuberante tal como eu gosto, onde vive o Monstro (representado pelo Dan Stevens)! Neste filme vai haver respostas para questões às quais nunca nos responderam e espero que fiquem tão maravilhados com o guarda-roupa como eu! Adorei os detalhes, os efeitos, a caracterização, as músicas e foi extremamente agradável assistir a um clássico com piadas inteligentes e que está estrategicamente pensado não tanto para os mais pequenos mas para os mais velhos. A mobília que se mexe e fala devido ao feitiço da feiticeira estava tão bonita, tão bem pensada e estavam lá espelhados muito bem as diferentes personalidades bem vincadas de cada um dos habitantes do castelo (venho só confessar a minha paixão pela chaleira e pelas chávenas pequeninas, adoro-as!)

Sai encantada do cinema com toda esta produção! É muito bonito de se ver e de sentir em conjunto com uma sala lotada e como sempre, num filme Disney o amor vence.


EAT&DRINK | Kalamata - Espírito Mediterrânico

O Kalamata - Espírito Mediterrânico fica escondido entre as ruas estreitas e vazias de Almada Velha bem pertinho da Casa da Cerca mas que vale a pena descobrir. É um cantinho multi funções que quando se entra tem um design simples, fresco e moderno e que nos dá de caras como uma pequena grocerie shop com produtos lusos e provenientes também de alguns dos países que circundam o Mar Mediterrâneo. É à volta deste último que todo o espaço gira, e não só. É um espaço que como faz de restaurante, faz de café, de loja de souvenirs e que nos proporciona momentos descontraídos e muito inspiradores. O espaço de mesas não é muito mas o espaço circundante é feito de madeiras claras e de pessoas simpáticas que se casam em gargalhadas e em conversas simples e descontraídas à volta de uma mesa. São as lâmpadas a virem do tecto, os pormenores, as revistas de cultura e life style espalhadas pelas mesas  e um quadro de ardósia, São os imensos mapas de cidades sobrepostos em paletes numa parede (que me deixou logo radiante, óbvio que fui analisar cada detalhe de cada um e voltar a percorrer algumas ruas deslumbrantes e cidades mentalmente). É o pequenino pátio que deve ser muito agradável em dias bonitos que se torna extremamente harmonioso com o seu jardim vertical que ficou por explorar.

É um espaço de influências mediterrâneas cuja comida gira em torno da fusão de várias culturas. Na ementa predomina a comida grega e vegetariana mas há muito por onde escolher. Mas há uma particularidade especial: a ementa muda todos os dias e por estejam a par da conta de facebook do espaço! Tem um menu muito barato aos dias de semana que recomendo que espreitem! Para finalizar, a gerência foi muito simpática sempre atenciosos e sempre à procura de nos satisfazer!

O Kalamata tem uma atmosfera diferente e adorei tudo o que experimentei (a lasanha vegetariana, o bifteki e a baklava caseira estavam excelentes e todos em boas porções!). É um sítio a regressar que prima pelo bom gosto, pela simpatia e pela simplicidade e harmonia. Gostei imenso e promete uma visita próxima!


TRAVEL GUIDE: VIENA | Uma Cidade Deslumbrante

Viena foi a cidade mais bonita onde já alguma vez tive. Assim, curto e forte,  tal como a primeira frase foi também a minha passagem por Viena. São cerca de quatro horas de autocarro desde Budapeste a Viena e a nossa paragem por lá foi dos pontos altos e das minhas partes favoritas da minha semana na Europa Central. Antes de Viena, a Áustria é um país bem diferente da Hungria. Começa logo na fronteira, as casas são muito mais bonitas e parecem muito mais cuidadas. Assim que mudamos de país as diferenças são logo evidentes e visíveis. Na Hungria as ruas são escuras e intimidantes ao contrário das austríacas que são muito iluminadas. Dois países tão próximos mas tão diferentes! Adorei descobrir as diferenças e as semelhanças entre ambos!

Para quem já foi a Paris, para mim Viena é muito parecido mas muito mais bonito e bem cuidado. A beleza da arquitectura dos edifícios não pára nem na periferia da cidade, é impressionante. Em todo o lado há um arco elaborado, um jardim cuidado, uma estatueta sofisticada ou um pormenor num prédio de cortar a respiração. A cada esquina e a cada rua percorrida Viena me surpreendia mais.

Infelizmente não pude riscar da minha lista nenhum dos locais que queria muito visitar como o Museu Albertina, o Palácio de Schorbrunn, as Galerias da Sissi, a Estátua de Mozart entre muitos outros. Somente passeei pelas ruas e tive o privilégio de observar a estupenda arquitectura austríaca. É uma cidade para os amantes de música clássica (não percam a oportunidade de assistir a um espectáculo, existem as resmas!), de arte e de arquitectura. Viena transpira estes três elementos e foi também por isso que gostei tanto.

Viena é uma cidade cara e preparem-se para isso. Comam apple strudel e experimentem outros pratos da doçaria austríaca que foi a base (caso não saibam) para a incrível pastelaria francesa. Falam alemão mas também falam muito bem inglês (coisa que só acontece na maioria dos sítios mais turísticos em Budapeste, infelizmente). As pessoas são muito simpáticas e perguntavam sempre se precisávamos de ajuda e se estávamos a gostar da cidade!

Viena foi a cidade mais bonita onde alguma vez estive e soube-me a pouco este dia. Viena tem tanto mais para me dar e preciso urgentemente de uma viagem de ida para lá de preferência com passagem por Hallstatt e Salzburgo que são sítios onde quero muito ir! Aquilo sou eu numa cidade, senti-me tão bem lá e tão feliz..! Viena vale totalmente a pena, é belíssimo.








 

TRAVEL GUIDE: BUDAPESTE | Sinagoga e Shabbat Shalom

Como já referi numa das publicações desta série de Budapeste, esta cidade trouxe-me muitos conhecimentos acerca da religião e cultura judaica. Já tinha visitado a Sinagoga de Lisboa, de Tomar e de Belmonte e não poderia nunca ignorar a de Budapeste que está no "habitat natural" dos judeus e é a maior da Europa e uma das maiores do mundo. Lembro-me que foi extremamente divertido os momentos antes de entrar-mos pois foi aqui que caiu o maior nevão da semana e por isso estávamos encharcados mas eufóricos e muito felizes! Viemos à Grande Sinagoga de Budapeste logo a seguir à visita arrebatadora e dolorosa ao Museu do Holocausto - que já vos falei aqui - para consolidar esta viagem ao mundo da religião, História e cultura judaica.



Fomos guiados por uma guia que nos explicou muitos dos elementos presentes dentro deste templo e alguns pormenores acerca da cultura judaica. Os rapazes tiveram que cobrir a cabeça com um capuz ou com o kipah que davam à entrada. Aprendi imensas coisas aqui tais como que os judeus não dizem o nome do seu Deus, que põe pedras nas campas em vez de flores (que é a que acho mais interessante), os judeus são quem faz mais piadas sobre si mesmos e têm um excelente sentido de humor, estão no ano de 5778 e uma criança pode ser considerada judaica ou não consoante a religião da mãe, se esta for judia a criança é, se não, a criança não é, a religião do pai não interessa. Aprendi também que o livro sagrado é a Torá que está escrita em hebraico e que se lê ao contrário e pude observar os Menorah e as estrelas de David espalhadas por todo o lado. Os judeus não misturam alimentos como a carne e o leite e quem conduz as cerimónias religiosas é o rabino. É uma religião muito condescendente e têm vários feriados e celebrações religiosas extremamente interessantes assim como locais que devem visitar pelo menos uma vez na vida como o Muro das Lamentações em Israel. O dia sagrado começa ao por do sol de sexta-feira e termina ao pôr do sol de sábado. O sábado é o dia de repouso e todas as obrigações profissionais e financeiras devem ser evitadas


Alguns dos parceiros húngaros eram judeus e para mim foi muito interessante o facto de ao mesmo tempo que desejávamos um feliz Natal desejávamos também um feliz Hanukkah. Achei super giro já que nunca tinha desejado uma feliz celebração de outras religiões. Quando escolhi a Hungria eu procurava este contacto com culturas diferentes e foi isso mesmo que tive.


Após a visita ao interior da Sinagoga, dirigimos-nos às traseiras das mesmas onde existe o cemitério. Ao contrário dos cemitérios comuns (que em suma são sítios aos quais detesto ir, o ambiente é pesado e desconfortável), no cemitério judaico o ambiente não era pesado, de todo, e apercebi-me que eles não levam a morte como algo horrendo mas sim como algo bom e isso ajuda a que este locaL não tenham uma atmosfera tão pesada. É um lugar de silêncio e respeito e são muitos os que deixam pedras aos diversos nomes que se estendem pela área. Não muito longe do cemitério é onde está o monumento da Árvore da Vida que é enorme e que em cada folha tem escrito o nome de um judeu húngaro morto num dos períodos mais negros da nossa Historia





 Nas redondezas existe o bairro judeu onde - segundo me contaram - os judeus fizeram marcações no chão na altura em que tiveram de fugir durante a II Guerra Mundial para quando a guerra acabasse e voltassem, saberem onde tinham habitado no caso de as habitações serem destruídas. Não visitei por lapso meu, era algo que eu queria muito mas que na altura me esqueci e por isso dêem uma voltinha por lá.


No final deste dia assistimos ao ritual do Shabbat Shalom que se inicia ao pôr do sol de sexta-feira e que introduz o período do shabbat (dia sagrado). Não foi feito na sinagoga nem celebrado por um rabino mas sim por alunos de uma escola judaica onde fizeram uma pequena demonstração do ritual para nós e onde nos explicaram em inglês como funcionava. Eu achei extremamente interessante ver como funcionavam as coisas, as restrições, a forma como liam, como rezavam, foi muito bonito e foi algo que me fascinou imenso!

February'17

O segundo e mais curto mês do ano foi cenário para muitos acontecimentos. Em Fevereiro a música esteve muito presente, criei e ouvi muitas playlists e fotografei muito mais. Dei passeios por Lisboa, andei motivada, voltei a pegar nas minhas aguarelas e voltei a desenhar - que saudades! - , terminei o primeiro livro do ano e recebi boas notas. Andei focada, positiva e muito inspirada. Revi milhões de vezes as fotografias de Budapeste e senti a dor das saudades do grupo, do país, dos momentos, de tudo. Já só penso na altura de eles virem para cá. Fortaleci amizades, as mais antigas e as mais recentes, e sinto que este mês valorizei muito mais aquilo que tenho. Foi um mês simples com uma ida a um museu e uma onda de confiança e de positividade - que suponho que veio derivada dos dias bonitos que lembraram a primavera - que aproveitei para sair da minha zona de conforto e vestir coisas que adoro mas que nem sempre me sinto a cem porcento para usar. Aconteceu o aniversário do meu pai, fui visitar os meus avós, dei passeios por Tomar e fiz compras incríveis nos saldos. 

Desejei muitas coisas, abracei os meus com força, recebi elogios fenomenais - que continuo a registar no twitter com a hashtag #ElogiosQueMeFazem - e fui referida Thirteen, no Bobby Pins, no A Sweet Escape e no Airplane Windows como um dos blogues favoritos no desafio do Seven Days of Me do Jota. Obrigada a todos, fizeram o meu dia completamente. Foi um mês de treinos intensivos de finalmente ver aquilo que queria ver dos Jogos Olímpicos, assisti ao Grand Prix de Moscovo em directo, finalmente coloquei o meu mapa-mundo na parede - estou tão feliz, finalmente! Em Fevereiro lutei pela verdade e pela justiça e só espero que tudo corra pelo melhor. Apesar de tudo nem sempre foi fácil mas as coisas incríveis sobrepuseram-se a todos os males e os melhores amigos do mundo ajudaram-me a sair das situações mais complicadas e foram os meus grandes pilares este mês. Fevereiro foi mais curto que este texto mas foi cheio de situações memoráveis e de risadas até doer a barriga. Obrigada a todos, espero que tenham um mês de Março tão incrível quanto vocês!