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January'17

Janeiro começou numa aldeia minúscula com amigos e 2017 não podia ter começado de melhor maneira! Divertimo-nos imenso e comemos muito! Depois passou para o estudo intensivo, para o inicio do segundo período e para a rotina escolar mas isso rapidamente se alterou quando dei por mim a fazer malas (adooooro fazer malas de viagem) para embarcar numa aventura espectacular e inesquecível. Em Janeiro cumpri um sonho que estava geminado em mim há muitos anos: fazer intercâmbio escolar. E por isso fui viver uma semana com uma família húngara e pude explorar Budapeste numa perspectiva mais de habitante e não tanto de turista e tive a oportunidade de visitar Viena que é numa só palavra deslumbrante (hei de vos falar desta cidade mais à frente.) A Hungria foi mesmo o ponto alto deste mês e de certeza que será dos pontos altos deste ano porque foi uma viagem como nunca fiz. Foram a parvoeira e as piadas, as lutas de neve, as conversas filosóficas, a cultura, a língua e uma moeda muito distintas..! Foi extremamente enriquecedor e guardo momentos espectaculares no coração, mesmo. Mas Janeiro também foram os mil e um aniversários, os passeios e as roupas quentinhas. Foi um mês de sentimentos esquisitos e de felicidade genuína e de preocupações quase nulas. Foi a mini-constipação, as velas e a lareira acesa e as bebidas quentinhas na mão, Foi bom enquanto durou. Agora é tempo de me voltar a empenhar nos estudos. Que Fevereiro seja estupendo para todos vós! 


E assim sem dar conta chegámos aos 100 seguidores! Milhões de obrigadas! 

TRAVEL GUIDE: BUDAPESTE | Szentendre

Szentendre é uma vila não muito longe de Budapeste onde fomos passar uma manhã. Não é uma vila muito movimentada sobretudo no inverno, numa manhã de semana. Quase que tínhamos a vila por nossa conta apesar de achar que é extremamente movimentada nos meses mais quentes. Está cheia de locais perfeitos para aquecer a alma e as mãos num chocolate quente e de lojinhas pouco convencionais e interessantes. Esta vila difere da capital em si pelas casas coloridas e pelo piso mas também pelas pessoas de lá que se mostraram muito mais calorosas. Tem uma igreja católica e uma ortodoxa uma ao lado da outra e é super interessante comparar ambas lado a lado. Szentendre fica bem na margem do Danúbio e foi aqui que contactei verdadeiramente pela primeira vez com neve e gelo na Hungria e foi mesmo muito divertido!






TRAVEL GUIDE: BUDAPESTE | Iceskating & Heroes Square

Decidi juntar a pista de gelo e a Praça dos Heróis pois são dois sítios facílimos de visitar um a seguir ao outro já que são mesmo ao lado um do outro! Fomos patinar no gelo na pista de gelo do parque da cidade e bem... foi engraçado, excepto as minhas cinco quedas (cujas nódoas negras se mantém até hoje). Podem trazer os vossos patins ou alugar uns, guardar os vossos pertences nos cabides e seguir para a pista de gelo! É enorme e real (ringues artificiais, isso come-se?) e tem sempre imensa gente. Não é fácil, é muito mais complicado que o que aparenta mas tive excelentes professores a ajudar-me e a ensinar-me. Patinar no gelo é algo que os húngaros aprendem quando ainda são muito pequeninos e é extremamente natural para eles e para além disso ao invés de nós que praticamos futebol, ginástica, natação, eles fazem corrida de velocidade em gelo, patinagem artística ou hóquei por isso eles eram mesmo os melhor instrutores. As quedas fazem parte mas nunca deixa de ser divertido, e é normal mal te conseguires por em pé enquanto que as pessoas à tua volta estão a andar de costas, a fazer piruetas ou de mãos nos bolsos, é absolutamente normal, nós é que não estamos habituados a tal coisa. Para eles isto é algo comum de um domingo em família e eu achei isso super interessante. 


Após umas boas horas a escorregar e tentar não cair seguimos para a Praça dos Heróis, uma das praças icónicas da cidade e um sítio que têm que visitar obrigatoriamente numa visita a Budapeste. Mas é que é mesmo imperativo! Como o nome indica é para enaltecer os heróis húngaros entre eles reis, líderes das tribos que fundaram a Hungria e outras personalidades importantes que estão representados nas estátuas. Foi construído para celebrar o milénio da fundação da Hungria e é fenomenal para tirar fotografias e é um dos pontos mais turísticos da capital húngara!

TRAVEL GUIDE: BUDAPESTE | Museu do Holocausto

Para começar esta série de publicações sobre a cidade incrível que me acolheu durante uma semana para uma das experiências mais enriquecedoras e espectaculares que já tive, escolhi um dos locais que mais gostei de visitar e um dos que estava mais curiosa: o Museu do Holocausto. Como é óbvio refere-se ao massacre histórico que ocorreu durante a II Guerra Mundial e foca-se muito nos judeus húngaros. É um tema que me interessa imenso apesar de ser muito sensível a tal.

Por segurança na entrada faz-se controlo tal como nos aeroportos e a seguir passamos para uma parte intermédia onde tem paredes e paredes repletas de nomes de judeus húngaros mortos no holocausto. São milhares e milhares e logo aqui eu soube que não me ia conter. Junto a estes estão muitas pedras que os que passam deixam. Na cultura judaica deixam-se pedras em vez de flores pois as pedras mantém-se para a eternidade e as flores morrem (inteligentes!). Após esta parte entrámos verdadeiramente no museu.




Podemos observar objectos recolhidos como bonecas, canetas, óculos entre outros. Filmes de histórias pessoais e imensos textos e fotografias (Para ser honesta, eu não consigo ler tudo o que há para ler nos museus, mas ali foi diferente, eu absorvi tudo porque senti que era algo que eu precisava) e depois fomos levados por um corredor onde ao nosso lado se viam as sombras daqueles que caminhavam por entre os caminhos de arame farpado para morrerem (e sim, quase que colapsei).  Nesta parte o chão vai descendo através de rampas o que simboliza o caminho para o fundo, a parte mais negra e sombria.


Depois disto vieram os diários das crianças (incluindo o de Anne Frank) e foi aqui que não me consegui controlar e chorei como não chorava há muito. As vitrinas com os "pijama às riscas", as estrelas de seis pontas e os recipientes do gás que dois ou três davam para matar dois mil judeus húngaros. Algo tão misero e pequeno que podia acabar com a vida de duas mil pessoas inocentes alvo de algo tão atroz e injusto. Esta foi a pior parte. Estávamos na parte mais baixa do museu e o barulho de fundo era o bater do coração e sinta-o como se fosse o meu. Tinha os nervos à flor da pele e um nó enorme na garganta. Nas imagens abaixo podem ver o que mais me fez chorar: o texto de um diário (o de cima, especialmente), o recipiente do gás e a estrela.




Já bem no final havia um filme extremamente gráfico onde demonstravam as experiências médicas, as valas comuns e muitas outras situações. Muitos vieram-me dizer "Leonor, não vejas isto", eu peguei num banco e fui me sentar a ver porque era algo que eu sentia que precisava de fazer. Como a Carolina diz, são murros no estômago extremamente necessários e eu precisava exactamente disto. O museu sobe por umas rampas e termina numa parte mais elevada que simboliza a superação. As paredes deixaram de ser cinzentas e passaram a ser brancas e pode-se ler histórias de superação daqueles que sobreviveram a este atentado contra a Humanidade. Após isto ainda podem visitar a sinagoga presente dentro do museu.



Foi um local muito duro e pesado e os miúdos que entraram lá naquele espírito português de sempre em festa e sempre a rir e a brincar saíram de lá quietos e em silencio e isto demonstra o poder que isto tem sobre nós. Foi extremamente enriquecedor e fez-me aprender que ainda tenho que levar muitos socos na cara para conseguir visitar um campo de concentração que é algo que quero imenso. Sou muito sensível a este assunto e quero imenso agradecer ao pessoal que me veio abraçar enquanto lia e chorava ainda mais. Foi chocante mas necessário e recomendo com cada pedaço do meu ser a visita a um centro destes.

EXCHANGE | A Minha Experiência

Na semana que passou eu tive a oportunidade de viajar para a Hungria para viver durante uma semana na casa de uma família húngara. Não fui lá para estudar apesar de ter ido em âmbito escolar, fui sim para conhecer outra cultura, aprender com os nativos e viver como eles. Adorei conhecer a minha parceira e fui acolhida por uma família impecável que fez de tudo para me sentir em casa e não poderia estar mais grata por isso. Esta foi somente a primeira parte deste projecto (ainda falta eles virem viver uma semana para cá!) mas já foi estupendo. Tenho a dizer que foi das melhores e mais felizes semanas da minha vida. Estava a fazer algo que tanto me apaixona: viajar, conhecer sítios novos e bonitos, conhecer pessoas incríveis e fotografar. Não tinha grandes preocupações, estava a viver um sonho que estava em mim há já cinco anos e por isso eu não poderia estar mais feliz e grata.

Sinto que aproveitei bem os momentos, provei comida estranha, aprendi palavras em húngaro, discuti temas controversos, aprendi mais sobre uma religião que para mim é extremamente interessante como o judaísmo e sobre o Holocausto. Aprendi sobre arte, sobre cultura, sobre história húngara, sobre o tempo seco e de como me vestir para este. Aprendi as nossas diferenças e semelhanças e aprendi sobre o sistema educacional húngaro, política e a pagar com forints húngaros (que é um pouco complicado ao inicio!).

Foi uma experiência de primeiras vezes. Saí pela primeira vez do país sem os meus pais, não fui à janela no avião, testei o meu nível de inglês ao máximo, estive com temperaturas absurdas (dez graus negativos) e apanhei um nevão, foi a minha primeira viagem com escala, primeira vez a contactar com uma cultura mais complexa e diferente. Foi a minha primeira viagem com amigos, o meu primeiro intercâmbio e a minha primeira vez num país onde a moeda e a língua não lembram a ninguém!

O Intercâmbio escolar foi uma aventura, um salto gigante para fora da minha zona de conforto, foi uma tomada de confiança e eu tinha expectativas extremamente elevadas e devo-vos dizer quer foi muito melhor do que esperava. Conheci pessoas espectaculares, vivi aventuras inesquecíveis, fiz palhaçadas e piadas que ficam para a história. Budapeste foi palco de uma das maiores e melhores aventuras da minha vida e mal posso esperar por partilhar mais convosco!  Budapeste foi tudo o que poderia ter imaginado e muito mais. Trouxe grandes amigos, lições e memórias de lá e espero que através das próximas publicações também se apaixonem por esta cidade que me acolheu durante uma semana através das minhas palavras e fotografias. Falarei também de uma vila em redor da capital húngara e do dia que passei em Viena. Espero mesmo que gostem pois vai dar-me um gosto enorme recordar os momentos que vivi e os locais que visitei! 



Vou só ali a Budapeste e a Viena viver um sonho. Volto já!

TRAVEL GUIDE: Serra da Estrela

Penso que é um lugar a onde já quase todos fomos. É um ponto turístico natural por ser a serra mais alta de Portugal Continental que nunca me canso de visitar seja em que altura do ano for. Já lá fui muitas vezes e em todas as estações do ano tem um encanto especial e diferente. É o único sítio onde alguma vez vi neve, é sempre tão giro e especial, em dias bonitos a vista é soberba e é dos meus locais predilectos para ver o pôr do sol, de um lado da montanha o céu é cor-de-rosa, roxo e azul e do outro lado é laranja e amarelo

Não é só o subir à Torre e sentirmos-nos no topo do mundo, a Serra da Estrela tem muito mais para dar. São as Lagoas como a Lagoa Comprida ou a Lagoa dos Conchos, miúdos e graúdos a escorregar  na neve e os bonecos de neve que vemos ao longo da beira da estrada. A serra da Estrela são as escaladas ao Cântaro Magro, Cântaro Raso e  ao Cântaro Gordo. A Serra da Estrela está nas aldeolas perdidas literalmente no meio da Serra, no Vale Glaciar do Zêzere e muito muito mais.

Passei lá um dia inteiro da última semana de 2016 e foi muito especial. Deu para matar saudades da neve (apesar de não ter estado muito frio), deu para testar a roupa que comprei para levar para a gélida cidade de Budapeste (aprovada!), deu para me divertir com os meus amigos, para explorar locais bonitos, fazer longas caminhadas onde a estrada não chegava e ainda pude ver um dos mais bonitos e espectaculares pores do sol da minha vida. Foi memorável.

A Serra da Estrela é aquele sítio onde vamos milhões de vezes e que nunca nos fartamos. Há tanto para descobrir por lá apesar de já ter visto tanto. É um sítio onde nos apercebemos do poder da natureza e do quão pequeninos somos. Intemporal e sempre belo, em qualquer altura do ano.


Esta semana vai ser muito preenchida e vai exigir muito de mim e da minha organização. Vamos a isso?