8 Traços Meus Que Adoro

Não sou a perfeição em pessoa e sinceramente não gostaria de o ser. Posso ser muitas coisa e acho que é bonito de referir algumas coisas que adoro na minha pessoa. Pode parecer selfish mas nós devemos ser as primeiras pessoas na nossa hierarquia. Devemos amar-nos profundamente e termos orgulho em nós. Isto não se ganha de um dia para o outro, o amor próprio trabalha-se todos os dias. Eu continuo a trabalhar em mim todos os santos dias e posso afirmar com  convicção que vale a pena. Tenho inúmeros defeitos mas porque não apreciar algumas das minhas qualidades ?

Grata, grata, grata, sempre! // Estou me sempre a repetir, mas algo que gosto genuinamente na pessoa que me tornei é que reconheço o trabalho e sacrifício dos outros e o quão incrível é estar onde estou. É impossível transfigurar em palavras aquilo que realmente sinto. É algo que vim a desenvolver no último ano e estou tão feliz  por ter atingido este estado de gratidão! Pelas pessoas que me rodeiam, pelas oportunidades que sou alvo, pela mente sã que tenho, por ter acesso à educação, por ter sempre comida na mesa e ajuda à distancia de uma chamada. Sou eternamente grata pelo sítio onde vivo, pela paz onde nasci e cresci, por todos os bens supérfluos dos quais posso tirar proveito. Grata pela facilidade que tenho de fazer aquilo que realmente gosto e realmente me faz feliz, por poder escrever aquilo que quero, ler, ouvir, fotografar, falar, ser quem eu quiser. Orgulho-me muito de ter atingido esta gratidão que palpita e que me corre nas veias. Tudo é mais bonito e menos intragável quando nos relembramos do quão privilegiados somos, lembrem-se disso!

Sou uma incrível gestora de tudo o que me diz respeito // Seja dinheiro, espaço, na grande maioria das vezes, tempo, actividades extra, horários, diria que tudo o que envolve um pouco de organização - desde que não seja física - eu sou um ás. É algo de que me orgulho muito, apesar de estar dentro de uma caótica onda de procrastinação de momento que parece não ter fim. Normalmente tenho o meu estudo sempre organizado, matéria em dia, trabalhos de casa e apresentações feitas e prontas a levar! É raro fazer de véspera, seja o que for! Sou uma poupadinha com o meu dinheiro e é por isso que consigo juntar tanto para investir naquilo que realmente vale a pena (sejam viagens, presentes ou até gadgets). É algo que gosto mesmo na minha pessoa é a minha capacidade pôr um travão e de controlar o meu consumismo. Economizo espaço nas minhas malas, nas folhas que escrevo, nos materiais que utilizo e de como os uso. Enfim, podia dar-vos mais mil e um exemplos do quão boa economizadora da vida em geral sou mas acho que vou ficar por aqui, tenho a certeza que vocês compreenderam a ideia!



sou muito desenrascada // Principalmente graças aos escuteiros, desenvolvi esta competência - e milhões de outras - tão incrível de me desenrascar com qualquer coisa em qualquer situação. A sério, eu sou o sentido literal do "quem não tem cão, caça com gato". Sobretudo em materiais. Eu arranjo forma, eu arranjo maneira de fazer..! Não interessa, sou uma engenhocas e arranjo sempre solução! As coisas partem-se, desencaixam, faltam, desaparecem..? Pessoal, eu consigo fazer qualquer coisa. Não tenho destreza mental para ser uma real solucionadora de conflitos e problemas, sinceramente sou lentinha de raciocínio, mas no material e no físico eu sou uma engenhocas e arranjo sempre uma segunda via de solução!


Gosto mesmo de mim // Mesmo quando custa, eu valorizo-me e celebro as minha vitórias com uma mega dança da felicidade. Gosto de cuidar de mim, de me sentir bem, de estar em paz comigo mesma. Esforço-me para meu proveito, trabalho e luto pelos meus objectivos pois é isso mesmo que devo à minha pessoa. Dizem-me muitas vezes que sou muito madura para a idade que tenho mas sinceramente penso que isso se deve a ter tido uma verdadeira crise de auto estima muito cedo e por isso aprendi a gostar de mim também muito cedo. Devo-me isto a mim, sempre.


Memória implacável // É dos meus traços que mais me orgulho! Tenho uma memória gigante capaz de decorar as coisas mais estapafúrdias, de me lembrar do mais exorbitante! Sou de memória fácil e esse é - mesmo - o meu principal segredo para o meu sucesso escolar: memorizo e depois compreendo e sei transpor bem as ideias. Dá um jeitaço e não é somente com ler, é com falar, com cheiros, sabores, sensações! Tenho uma memória muito intuitiva e clara. Consigo guardar muitas coisas bonitas que a maioria guarda no arquivo temporário e sinceramente não me é muito complicado eliminar as memórias tóxicas. É das coisas que mais me orgulho e que tenho mais medo de perder.


Tenho sede de serviço // algo que também foi plantado em mim pelos escuteiros é o quanto quero servir os outros. Estou a falar de voluntariado! Não há nada que queria tanto do que dar de mim aos outros. São incontáveis os projectos e as organizações com as quais quero estar envolvida nos próximos anos. É um dos ideais do caminheirismo e uma das coisas que tanto me faz querer ser caminheira. Quero mesmo ser voluntária nas mais diversas causas e contextos e desejo ardentemente experimentar de tudo um pouco, passando sempre uma mensagem positiva e de esperança. Tenho sede de serviço e fome de ajudar os outros. Como dizem e bem "se não vives para servir, não serves para viver".



Tenho curiosidade por tudo um pouco // Não me fecho na concha daquilo que mais gosto, eu quero saber de tudo, compreender de tudo, ver como funciona e o que faz. Não tapo os olhos daquilo que há para além das artes e da história! Gosto de saber de todos os temas um pouco, seja química, desporto ou cinema! Gosto de estar informada e de ter uma pitada de tudo na minha cultura geral, aliás acho que é mais fácil de estar a par do mundo assim. Busco muito conhecimento diversificado e o facto de explorar tanto outros cantos do saber comum que nada têm a haver com a minha área torna-se bastante atractivo e interessante!

Quando gosto, gosto a sério // não há cá meios termos! Seja de coisas ou de pessoa, não sei gostar a meio gás e para mim não faria sentido de outra forma.

EXCHANGE | Obrigada!

O intercâmbio de estudantes com a Hungria no qual tive a incrível oportunidade de participar e que decorreu  nos últimos meses terminou há quase duas semanas e só agora é que tive coragem de escrever aquilo que gosto de chamar não só de retrospectiva como de agradecimento. Consistiu em ir viver para uma família húngara durante uma semana e meses depois a minha parceira ser acolhida na minha família e foi genial. Já me tinha apaixonado pelo projecto quando há uns anos o meu irmão fez o mesmo programa para a Alemanha, precisamente com a minha idade, e ansiei durante muito tempo pela minha oportunidade.

Confesso que nos últimos anos sempre quis outro destino e decidi mudar para a Hungria no dia em que chegaram os papéis, foi repentino mas certeiro, como gosto de lhe chamar e hoje digo-vos que estou absolutamente zero arrependida! Inscrevi-me, escrevi uma carta de motivação onde apontei a minha paixão por outras culturas, por viagens e aquilo que o intercâmbio ia significar para mim. Fui escolhida por mérito próprio neste passo onde eliminaram metade do grupo e a gratidão foi tanta! Seguiram-se as reuniões onde no inicio quase ninguém falava, somente quem se conhecia. Eu era a única da minha turma e não havia ninguém que conhecesse mesmo bem somente algumas caras conhecidas dos corredores e nomes que se falam, todos os outros eram estranhos. Pensando bem, adorava voltar a este processo inicial, não nos apercebemos o quão mágico é quando lá estamos! Depois paguei a viagem com as poupanças que tinha feito durante o último ano e confesso que acho que a única coisa que os meus pais fizeram foi assinar os papéis para sair do país porque de resto fiz tudinho!

Assim que nos deram os nossos parceiros começamos a conversar até ao dia em que nos conhecemos. É assustador quando chegamos ao aeroporto e finalmente os podemos ver frente a frente! Criamos sempre imensas expectativas porque sabemos que as fotos nem sempre correspondem à realidade e conversar sem ecrãs à frente, sem emojis nem palhaçadas, só nós. É estranho mas é tão giro! Um dos meus objectivos com o intercâmbio era trabalhar no meu inglês. Sempre fui boa a escrever no entanto sempre encravei a falar e noto uma evolução imensa! Sou muito mais intuitiva e já não preciso de pensar em português e traduzir já sai tudo natural sem qualquer esforço e é pura magia! Habituamos-nos tanto a falar inglês que voltamos a casa e continuamos a utilizar expressões inglesas e até que sonhei nesta língua!

Lá divertimos-nos tanto, tenho tantas saudades de Budapeste, mas tantas tantas vocês não imaginam..! Sinto falta de ver os senhores a lançar sal nas estradas para derreter o gelo, da língua esquisita e do dinheiro que me dava dores de cabeça! Tenho imensas saudades dos transportes de minuto a minuto da comida que comia três garfadas e ficava cheia o dia todo! Saudades das viagens de autocarro e de avião, de nos perdermos e andarmos uma hora no aeroporto de Paris às cinco da tarde para ir almoçar ao McDonalds. Sinto falta do meu Chai Tea Latte que me aquecia a alma, a garganta e as mãos, do Danúbio congelado, de viver no centro da cidade. Tenho saudades de chorar imenso no museu do Holocausto agarrada precisamente às mesmas pessoas com que chorei quando os húngaros se foram embora. Tenho saudades do facto de estarmos todos doidos com as novas músicas do Ed - que são duas das músicas que simbolizam para nós esta viagem. Saudades de subir um dos maiores lances de escadas rolantes da Europa a correr em vez de esperarmos porque simplesmente podíamos e sinto falta das bebidas com mesmo muito gás. Foram as bolas de neve na cara, os passeios nocturnos, os divertimentos em Viena e as mil e uma peripécias que nos aconteceram. Foi incrível. Tenho saudades.

Cá tentei dar à minha parceira a melhor experiência de Portugal que ela poderia receber, foi a comida, a hospitalidade, a interacção com a nossa cultura, o solinho bom que se deu a conhecer, o mar aqui tão próximo..! Adorei tê-la cá apesar de ter sido extremamente cansativo mas foi tão bom! Fomos não só visitar a parte mais histórica e cultural da cidade mas também nos fomos divertir e fomos fazer surf. Visitamos não só Lisboa como Almada, a Costa, Sintra e Cascais e alguns chegaram a ir à Arrábida! Adorei o programa e adorei estar envolvida nisto!

O maior prémio no fim são as memórias e as fotografias que ficam, ela dizer-me que foi a melhor viagem que já fez e disse lhe que se ela quisesse a minha casa estava sempre aberta para a receber se ela quisesse voltar, ela fez o mesmo comigo e isto demonstra o quão bem nós ficamos uma com a outra e como nos ficamos a conhecer, Não ficámos amigas para a vida, aliás  conversas online e duas semanas juntas não dão para muito mas ela ficou marcada em mim e tive imensa sorte com a minha parceira - há quem não tenha a mesma sorte e tenha tido problemas, um dos factores que mais influenciam no intercâmbio são o vosso parceiro e eu fiquei excelente!. Vê-los partir foi extremamente doloroso principalmente ao saber que provavelmente nunca mais os veremos na vida. Dói.

Custa terminar este projecto que começou muito antes das viagens. Começou em Outubro e somente no fim de Abril é que terminou e encerro este bonito capítulo de coração cheio. Foi soberbo. Obrigada a todos os portugueses com os quais travei bonitas amizades - fomos um grupo bestial - especialmente à Telma que foi a melhor pessoa que o intercâmbio me trouxe, a todos os húngaros - especialmente à minha e a um fofinho que disse que eu era a portuguesa preferida dele por ser toda para a frentex - aos professores que nos acompanharam, aos meus pais por me apoiarem sempre e por me ajudarem com as tarefas e com a papelada, à minha família húngara por me ter acolhido tão bem e a todos vocês que acompanharam durante os últimos meses nesta aventura. Se poderem vão, a sério não desperdicem esta oportunidade! E visitem a Hungria que toda agente me pergunta se fica sequer na Europa ou onde é que raio é. Não é um país pelo qual surja um grande interesse, reconheço isso, mas merece uma visita. Nunca esquecerei Budapeste por lá ter passado uma das semanas mais incríveis da minha vida, a gratidão não cabe em mim!




TRAVEL GUIDE: SINTRA | Quinta da Regaleira

Ainda no final de Abril fomos passear com o grupo todo do intercâmbio a Sintra e uma das nossas paragens foi a Quinta da Regaleira. Era provavelmente o sítio que mais queria visitar no programa e já lá tinha estado há muitos anos, para verem o quão pequena era, os telemóveis topo de gama eram nokias calhau! É um parque relativamente grande e cheio de coisas incríveis para ver!

São os lagos, as grutas, o poço, as fontes, as torres, as cascatas, as fontes, o palácio, as estátuas, as espécies que encontram em todo o parque! É um leque de infinidades de coisas diferentes! Muito agradável para um bom passeio e para descontrair! Sim, sem dúvida que as cores verdejantes e os sons puros da Regaleira nos fazem querer ficar lá para todo o sempre! É tão bonito e por favor vão com tempo para explorar todos os cantinhos deliciosos da Quinta da Regaleira.

Correspondeu às expectativas que impus mas tinha ideia que era muito maior! No entanto toda a gente adorou não só este belíssimo local que visitamos como toda a vila de Sintra e a magia que transmite! É incrível! Só tenho mesmo pena de não ter tido tempo para explorar absolutamente tudo e de não ter percorrido todos os túneis! Foi pena mas encheu-me as medidas!







April'17

Abril foi um mês muito bonito e o melhor de todos os meses que 2017 me trouxe até agora. Aconteceu tanto, vivi tanto, foi um mês marcado pela mudança, pelas fotografias que cada vez gosto mais de tirar e pelas pessoas que por mim passaram. Abril foi de felicidade genuína e quando tudo parecia morrer eu renasci. Capítulos bonitos chegam ao fim para que novos ainda mais incríveis comecem.

Foi um mês em que os amigos se lembraram de mim e me trouxeram prendinhas da Irlanda, do Luxemburgo, da Holanda e da Alemanha. Terminei o segundo período do décimo ano com média de dezasseis e com um incrível dezoito a História que me deixou imensamente orgulhosa! Tive direito a duas semanas loucas de férias com direito a muitos abraços à avó, de muita comida e muita festa. Há uns tempos odiava de morte ir para a aldeia mas assim que comecei a aproveitar cada segundo e a apreciar as pequenas coisas que isso mudou. Sou extremamente grata por aquilo que é aquela pequena zona e tudo o que aquilo me traz. 

Em Abril presenteei duas amigas com dois retratos que fiz delas e a sua reacção foi o melhor presente! Andei no passeio não só pela terrinha mas também por Palmela, Setúbal, Lisboa, Sintra e Cascais. Foi o mês em que vi o meu pai partir para Santiago ano e meio após uma operação e o orgulho não coube em mim. Estreamos finalmente a coreografia nova quase sem erros e foi lindo, não há palavras para descrever a felicidade que a ginástica me traz! Foi um mês de voltar ao surf - que já sentia tantas saudades -  e de consequentemente dar o primeiro mergulho do ano. Este mês descobri que quero viver em mom jeans para o resto da vida e assumo que bebi mais limonada do que água. Este mês aprendi que não é preciso forçar nada e que seja o que for há de acontecer, as coisas mais incríveis aconteceu de repente e não são programadas.

Mas apesar disto tudo o que mais me marcou este mês foi sem dúvida o intercâmbio. Em Janeiro fui uma semana viver com a minha parceira húngara e foi em Abril que ela veio para cá. Divertimos-nos imenso juntas e tive a oportunidade de lhe mostrar a nossa capital. Fomos a sítios super giros, rimos muito e enfardamos juntas. Enquanto isso cada vez me sentia mais segura e cada vez se tornou mais natural para mim falar inglês. Duas coisas que me marcaram muito foram sem dúvida vê-los a ficar malucos quando finalmente viram a praia e quando os metemos a comer caracóis, impagável! Graças ao intercâmbio tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis e de ter uma experiência cinco estrelas e a semana cá em Portugal foi mesmo a cereja no topo do bolo. Sonhei com isto durante muitos anos e superou todas as minhas expectativas, foi lindo. Custou muito vê-los partir sabendo que nunca mais os vamos ver e foi muito duro. Também vi um design meu impresso em trinta sweatshirts e ficava sempre tão feliz ao ver alguém a  usá-la! Deu-nos um trabalhão mas valeu tudo. Foi também por causa do intercâmbio que fiz uma visita guiada a Belém totalmente em inglês sobre a  história da zona e da arquitectura manuelina, foi do caraças, adorei!

Outra coisa que me marcou muito foi algo a nível escutista. O meu agrupamento de escuteiros fechou após dez anos incríveis que lá estive desde o principio e foi extremamente doloroso ver um dos meus portos mais seguros ruir e chorei, chorei muito enquanto ouvia as músicas que mais mexiam comigo. Foi um aperto enorme no peito a incerteza de quando me voltaria a fardar de novo mas a minha mãe fez um trabalho espectacular ao transferir me o mais rapidamente possível para outro grupo para continuar a minha jornada no movimento que me apaixona todos os dias e que faz de mim sempre uma pessoa melhor. Foi uma mudança dura mas a vida continua! Gosto de pensar que sou uma árvore que foi plantada no outro agrupamento e que cresci  imenso. Fui regada e levei com a quantidade certa de luz e sempre cresci e fui feliz e cheguei a dar flor mas nos últimos tempos o solo foi tornando-se infértil e tive que ser mudada para outro jardim. Foi estranho ao principio mas acabei por me habituar bem e espero conseguir finalmente progredir como devo e conseguir dar fruto. É assim que quero que seja. Foi um inicio, um bom inicio porque ficámos no pódio numa actividade regional e a dor imensa de pés que tinha extinguiu-se e fui saltar à nossa vitória, foi estupendo.

Abril deu-me tanto mas tanto e acabo este mês de coração cheio e com a  certeza que as coisas boas arranjam maneira de chegarem a nós, sempre, e que não há que duvidar disso. Aconteceu tanto em somente trinta dias e estou grata por tudo! Estive verdadeiramente ocupada a ser feliz e na retrospectiva de Março  disse que sentia que Abril ia ser excelente e foi mais que isso, estou sem palavras, muito cansada mas tremedamente feliz!

"E por teu nome vou chamar
para lá das ondas vou olhar
se a maré subir
no teu abraço vou ficar
e no teu amor
renascerei"



Ando mesmo ausente por estes lados mas não se preocupem, ando ocupada a ser feliz!

TRAVEL GUIDE: LISBON | Fundação Calouste Gulbenkian

A última vez que estive na Fundação Calouste Gulbenkian ainda estava no infantário e já queria muito ir lá ver a exposição do Almada Negreiros e assim que a minha parceira húngara disse que o queria visitar até dei pulinhos de excitação! Em suma, Calouste Gulbenkian era um arménio mesmo muito rico e quero era um vasto coleccionador de arte. Este senhor viveu vários anos por cá e  faleceu em Lisboa onde pediu que fosse erguida uma fundação com o seu nome e que seria herdeira da sua fortuna. Neste museu encontra-se toda a sua colecção de peças de arte. Isto para compreenderem do que se trata no fundo este local. Tal como já referi alberga também uma exposição de Almada Negreiros foi logo a primeira parte a que nos dirigimos.



Já tinha apreciado várias obras de Almada Negreiros mas não assim tantas. Na verdade, esta é a maior exposição das suas obras. É um artista contemporâneo e que trabalha sobretudo a grafite, a guache e a óleo. Representa sobretudo pessoas e tem um estilo muito só dele. Gostei principalmente das obras a grafite com linhas sublimes e inquestionáveis mas acima de tudo simples e delicadas que construíam uma complexidade de formas. É um artista de cores e na sua exposição Uma Maneira de Ser Moderno transmite-nos muito. Fiquei fascinada e sobretudo fã!



A seguir dirigimo-nos à colecção permanente que um dia pertenceu a Gulbenkian. É uma colecção enorme com peças da Grécia e da Roma antiga, do Egipto, do Extremo Oriente, do Médio Oriente, Europeia, Islâmica entre outras. Passa desde as estátuas às pinturas (de gigantes como Monet, Manet ou Rosseau), às moedas da época Clássica, a peças decorativas (admito que foi aquilo que menos desinteressou apesar de jamais negar a sua beleza!), loiças, tapeçarias islâmicas, jóias... enfim tanta coisa! É dotado de bonitos pormenores e tenho que dizer que a minha parte favorita foi a parte islâmica, adoro a arte patente nesta cultura!




É um museu para ir com tempo e de cabeça limpa, é bonito e muito rico e se tiverem tempo sugiro que passeem pelos jardins que também tem algumas espécies pouco frequentes aqui por terras lusas (como é o caso de bambus e papiros). Gostei imenso de ambas as exposições e para mim valeu imenso a pena e ainda tive a sorte de ter idade para ser gratuito, como não adorar? 


TRAVEL GUIDE: BUDAPESTE | Galeria Nacional Húngara

A minha parceira húngara está quase a chegar e por isso decidi arrumar o assunto de Budapeste antes de a ter debaixo do mesmo tecto. Esta é a última publicação sobre lugares pelos quais me apaixonei e onde criei memórias inesquecíveis na capital húngara, espero que tenham gostado tanto como eu gostei de visitar, escrever e fotografar! No dia em que me deram oportunidade de escolher onde queria ir fui rápida e disse logo que queria ir à Galeria Nacional Húngara cuja a minha mãe já me tinha recomendado se queria ver arte na cidade.

Não vou por obrigação mas sim por gosto a museus de arte e escolhi este essencialmente por ser somente composto por obras de artistas húngaros. Considero que consigo ver Monet, Leonardo da Vinci, Goya, Miró entre muitos outros - que têm obras expostas no Museu de Belas Artes de Budapeste - em quase toda a parte do mundo e por isso decidi entregar-me à cultura húngara e ir pelos seus artistas já que estes são pouco conhecidos e penso que antes nunca tinha visto ao vivo. Ir à Hungria ver artistas que posso ver em todos os museus? Não, conhecer artistas húngaros, a sua arte e a sua história, era isso que eu queria ver e fazer!

A Galeria Nacional Húngara fica num dos pontos mais altos da cidade no castelo de Buda, o que nos dá uma bonita vista sob a cidade. Esta galeria acolhe peças de arte desde a Idade Média até ao século XX e espanta-nos logo que entramos com um quadro gigantesco. Não sou a melhor pessoa para vos falar de arte húngara mas eles retratavam principalmente episódios do quotidiano e cenários históricos e religiosos. É super interessante porque um país reflecte-se também na sua arte e aquilo que acontece é transposto para telas ou é esculpido em pedra.

Fiquei alegremente surpreendida com a secção do impressionismo que se referia aos pintores húngaros que frequentaram a Escola dos Impressionistas de Barbizon - onde estive no verão e que podem saber mais aqui. Também achei super engraçado as caras que nos aparecem nas notas de quinhentos e de mil forints estarem lá representadas!

Não fui muito informada para lá e deixei que a minha parceira e a sua família me guiassem e me explicassem certos cenários - principalmente os históricos - mas reconheci algumas obras como a Woman Dressed In Polka Dots Robe de József Rippl-Rónai e algumas de campos floridos que julgo já ter visto algures. Saí de lá radiante e bem mais rica pois a arte é o reflexo de um povo, de uma cultura e de um país inteiro. Gostei imenso e este foi um dos meus lugares favoritos em Budapeste.