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TRAVEL GUIDE: BUDAPESTE | Sinagoga e Shabbat Shalom

Como já referi numa das publicações desta série de Budapeste, esta cidade trouxe-me muitos conhecimentos acerca da religião e cultura judaica. Já tinha visitado a Sinagoga de Lisboa, de Tomar e de Belmonte e não poderia nunca ignorar a de Budapeste que está no "habitat natural" dos judeus e é a maior da Europa e uma das maiores do mundo. Lembro-me que foi extremamente divertido os momentos antes de entrar-mos pois foi aqui que caiu o maior nevão da semana e por isso estávamos encharcados mas eufóricos e muito felizes! Viemos à Grande Sinagoga de Budapeste logo a seguir à visita arrebatadora e dolorosa ao Museu do Holocausto - que já vos falei aqui - para consolidar esta viagem ao mundo da religião, História e cultura judaica.



Fomos guiados por uma guia que nos explicou muitos dos elementos presentes dentro deste templo e alguns pormenores acerca da cultura judaica. Os rapazes tiveram que cobrir a cabeça com um capuz ou com o kipah que davam à entrada. Aprendi imensas coisas aqui tais como que os judeus não dizem o nome do seu Deus, que põe pedras nas campas em vez de flores (que é a que acho mais interessante), os judeus são quem faz mais piadas sobre si mesmos e têm um excelente sentido de humor, estão no ano de 5778 e uma criança pode ser considerada judaica ou não consoante a religião da mãe, se esta for judia a criança é, se não, a criança não é, a religião do pai não interessa. Aprendi também que o livro sagrado é a Torá que está escrita em hebraico e que se lê ao contrário e pude observar os Menorah e as estrelas de David espalhadas por todo o lado. Os judeus não misturam alimentos como a carne e o leite e quem conduz as cerimónias religiosas é o rabino. É uma religião muito condescendente e têm vários feriados e celebrações religiosas extremamente interessantes assim como locais que devem visitar pelo menos uma vez na vida como o Muro das Lamentações em Israel. O dia sagrado começa ao por do sol de sexta-feira e termina ao pôr do sol de sábado. O sábado é o dia de repouso e todas as obrigações profissionais e financeiras devem ser evitadas


Alguns dos parceiros húngaros eram judeus e para mim foi muito interessante o facto de ao mesmo tempo que desejávamos um feliz Natal desejávamos também um feliz Hanukkah. Achei super giro já que nunca tinha desejado uma feliz celebração de outras religiões. Quando escolhi a Hungria eu procurava este contacto com culturas diferentes e foi isso mesmo que tive.


Após a visita ao interior da Sinagoga, dirigimos-nos às traseiras das mesmas onde existe o cemitério. Ao contrário dos cemitérios comuns (que em suma são sítios aos quais detesto ir, o ambiente é pesado e desconfortável), no cemitério judaico o ambiente não era pesado, de todo, e apercebi-me que eles não levam a morte como algo horrendo mas sim como algo bom e isso ajuda a que este locaL não tenham uma atmosfera tão pesada. É um lugar de silêncio e respeito e são muitos os que deixam pedras aos diversos nomes que se estendem pela área. Não muito longe do cemitério é onde está o monumento da Árvore da Vida que é enorme e que em cada folha tem escrito o nome de um judeu húngaro morto num dos períodos mais negros da nossa Historia





 Nas redondezas existe o bairro judeu onde - segundo me contaram - os judeus fizeram marcações no chão na altura em que tiveram de fugir durante a II Guerra Mundial para quando a guerra acabasse e voltassem, saberem onde tinham habitado no caso de as habitações serem destruídas. Não visitei por lapso meu, era algo que eu queria muito mas que na altura me esqueci e por isso dêem uma voltinha por lá.


No final deste dia assistimos ao ritual do Shabbat Shalom que se inicia ao pôr do sol de sexta-feira e que introduz o período do shabbat (dia sagrado). Não foi feito na sinagoga nem celebrado por um rabino mas sim por alunos de uma escola judaica onde fizeram uma pequena demonstração do ritual para nós e onde nos explicaram em inglês como funcionava. Eu achei extremamente interessante ver como funcionavam as coisas, as restrições, a forma como liam, como rezavam, foi muito bonito e foi algo que me fascinou imenso!

4 comentários:

  1. Adoro este tipo de post no teu blogue, Leonor!

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  2. Acho que foi dos posts mais interessantes que eu li até hoje. Adorei os factos, as fotografias e as explicações. Um dia mais tarde, quando voltar a Budapeste, vou visitar a Sinagoga sem dúvida nenhuma :)

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  3. Nunca tinha visto fotos de igrejas judaicas - só árabes, e nos livros de HCA -, mas tenho a sublinhar o facto de me ter encantado com estea pela sua simplicidade, coisa pouco comum nas igrejas católicas, sempre tão munidas de figuras de Cristo e que, muito pessoalmente, acho horrendas e muito fortes.
    Gostei bastante de ler este relato e de conhecer um pouco mais da cultura de Budapeste! Até já tenho tema de conversa para com os amigos! :P
    Beijinhos!

    LYNE

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