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TRAVEL GUIDE: BUDAPESTE | Museu do Holocausto

Para começar esta série de publicações sobre a cidade incrível que me acolheu durante uma semana para uma das experiências mais enriquecedoras e espectaculares que já tive, escolhi um dos locais que mais gostei de visitar e um dos que estava mais curiosa: o Museu do Holocausto. Como é óbvio refere-se ao massacre histórico que ocorreu durante a II Guerra Mundial e foca-se muito nos judeus húngaros. É um tema que me interessa imenso apesar de ser muito sensível a tal.

Por segurança na entrada faz-se controlo tal como nos aeroportos e a seguir passamos para uma parte intermédia onde tem paredes e paredes repletas de nomes de judeus húngaros mortos no holocausto. São milhares e milhares e logo aqui eu soube que não me ia conter. Junto a estes estão muitas pedras que os que passam deixam. Na cultura judaica deixam-se pedras em vez de flores pois as pedras mantém-se para a eternidade e as flores morrem (inteligentes!). Após esta parte entrámos verdadeiramente no museu.




Podemos observar objectos recolhidos como bonecas, canetas, óculos entre outros. Filmes de histórias pessoais e imensos textos e fotografias (Para ser honesta, eu não consigo ler tudo o que há para ler nos museus, mas ali foi diferente, eu absorvi tudo porque senti que era algo que eu precisava) e depois fomos levados por um corredor onde ao nosso lado se viam as sombras daqueles que caminhavam por entre os caminhos de arame farpado para morrerem (e sim, quase que colapsei).  Nesta parte o chão vai descendo através de rampas o que simboliza o caminho para o fundo, a parte mais negra e sombria.


Depois disto vieram os diários das crianças (incluindo o de Anne Frank) e foi aqui que não me consegui controlar e chorei como não chorava há muito. As vitrinas com os "pijama às riscas", as estrelas de seis pontas e os recipientes do gás que dois ou três davam para matar dois mil judeus húngaros. Algo tão misero e pequeno que podia acabar com a vida de duas mil pessoas inocentes alvo de algo tão atroz e injusto. Esta foi a pior parte. Estávamos na parte mais baixa do museu e o barulho de fundo era o bater do coração e sinta-o como se fosse o meu. Tinha os nervos à flor da pele e um nó enorme na garganta. Nas imagens abaixo podem ver o que mais me fez chorar: o texto de um diário (o de cima, especialmente), o recipiente do gás e a estrela.




Já bem no final havia um filme extremamente gráfico onde demonstravam as experiências médicas, as valas comuns e muitas outras situações. Muitos vieram-me dizer "Leonor, não vejas isto", eu peguei num banco e fui me sentar a ver porque era algo que eu sentia que precisava de fazer. Como a Carolina diz, são murros no estômago extremamente necessários e eu precisava exactamente disto. O museu sobe por umas rampas e termina numa parte mais elevada que simboliza a superação. As paredes deixaram de ser cinzentas e passaram a ser brancas e pode-se ler histórias de superação daqueles que sobreviveram a este atentado contra a Humanidade. Após isto ainda podem visitar a sinagoga presente dentro do museu.



Foi um local muito duro e pesado e os miúdos que entraram lá naquele espírito português de sempre em festa e sempre a rir e a brincar saíram de lá quietos e em silencio e isto demonstra o poder que isto tem sobre nós. Foi extremamente enriquecedor e fez-me aprender que ainda tenho que levar muitos socos na cara para conseguir visitar um campo de concentração que é algo que quero imenso. Sou muito sensível a este assunto e quero imenso agradecer ao pessoal que me veio abraçar enquanto lia e chorava ainda mais. Foi chocante mas necessário e recomendo com cada pedaço do meu ser a visita a um centro destes.

7 comentários:

  1. Tenho um "fascínio" por estas coisas do Holocausto e II Grande Guerra, o assunto dos livros que mais li têm esta temática. Visitar um campo de concentração é algo que gostaria de fazer mas sinto que primeiro preciso de amadurecer muito a ideia.
    O museu parece incrível e um lugar de extremo respeito.

    Gostei desta publicação e achei super interessante a parte do "pedras vs flores", realmente parece bem mais sensato.

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  2. Que testemunho poderoso, Leonor, adorei conhecer o museu pelos teus olhos!

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  3. Imagino que tenha sido uma experiência até cruel...
    https://jusajublog.blogspot.pt/

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  4. Que sonho! Quem me dera um dia também poder visitar este sítio!

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  5. O teu testemunho transportou-me até lá. Fantástico, Leonor. E sim, são murros no estômago que toda a gente devia levar - especialmente este ano, em que o ódio e o extremismo cresce de forma assustadora.

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  6. Só de ler a tua experiência, consegui vivê-la aqui deste lado! Nem sei o que dizer... Só acho que és uma pessoa de quem se deve ter bastante orgulho por encarar situações destas de forma bastante madura!

    A Vida de Lyne

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  7. Adorei este texto! Tal como já disseram, levaste-nos mesmo ao museu contigo, através das tuas sentidas palavras!
    Espero um dia ter a oportunidade de visitar um lugar com tanta história quanto este. Não sei como algumas pessoas ainda não acreditam que isto foi mesmo uma realidade...
    Beijinho*

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