TRAVEL GUIDE: LISBOA | Museu Nacional de Arte Contemporânea

Este museu é uma repetição dado que já o visitei em 2015, se não estou em erro. Lembro-me que fiquei deslumbrada pelos tectos e pelas maçanetas das portas (a sério!) da parte superior do museu, que foi a única que visitei na altura, e lembro-me que gostei bastante da exposição que lá estava inserida. Desta vez nas salas brancas e límpidas que já tinha visitado anteriormente estava um artista diferente - Amadeo de Souza-Cardoso. Um artista português que não se enquadra em estilo de pintura algum pois gosta de usar uma pitada de tudo na sua arte, como o próprio afirma. Vão poder encontrar muita cor e instrumentos musicais, com citações do próprio artista ou da imprensa nas paredes. Visitei esta exposição numa quarta-feira à tarde e apanhei imensa gente, muito mais que no domingo à tarde de época alta da primeira vez. Apanhei ainda muitos alunos a representar os quadros dos artistas que é algo que adoro observar! É uma exposição que está lotadissima e corram que termina já no domingo! Desconhecia o artista e estou muito interessada em perceber mais de artistas portugueses visto que me sinto uma ignorante neste tópico. 

No andar inferior temos arte moderna de diversos artistas, com esculturas mirabolantes e fotografias (que foi a minha parte favorita!). É um museu muito barato que fica no Chiado e que a cada visita me apaixono mais, prometo regressar para me perder ainda mais de amores.


 








TRAVEL GUIDE: BUDAPESTE | Parlamento

O Parlamento húngaro é das maiores atracções e é imenso e belíssimo! Eu não esperava que fosse tão grande e tão majestoso e quase que soltei uma lágrima na primeira vez que o vi, foi aqui que tive o primeiro grande impacto, eu estava ali, mesmo, eu tinha conseguido e estava a realizar um sonho por mérito próprio. Este edifício simbolizou isso, eu estava lá, estava presente, exactamente onde queria estar e a embarcar numa aventura muito desejada. Isto foi na primeira noite mas no último dia de passeio voltei lá para admirar com mais calma e desta vez com a luz do dia. Não importa a altura é sempre lindo. Não entramos pois era uma burocracia enorme e passávamos mais tempo na revista que realmente a ver o seu interior, segundo os professores, apesar de achar que deve ser tão deslumbrante por dentro como por fora. No exterior ainda temos um mastro enorme com a bandeira húngara e com guardas que marcham de certo em certo tempo. Vale muito a pena ir apreciar os pormenores arquitectónicos de perto!




FRIENDSHIP | O Porto Seguro

Este ano já fiz imensos amigos tanto da turma em que me inseri em Setembro como de outras e apesar de estar a ser uma experiência espectacular, os velhos amigos continuam muito presentes. Temos horários e estamos em turmas diferentes, por vezes nem nos vemos no meio da azáfama e até que ficamos sem falar durante semanas mas eles continuam a dar os abraços mais calorosos e apertados. As nossas conversas continuam a ser como se estivéssemos todos os dias juntos. Sentarmos-nos à volta de uma mesa para jantar e continuar a sentir o à vontade para conversar sobre tudo e sobre nada é impagável. Não nego que sinto a falta deles e da sua presença assídua nos episódios do quotidiano mas não é algo que possa mudar. Apesar de tudo continuamos aqui uns para os outros e somos realmente pessoas especiais na vida uns dos outros. São o "trouxe-te bolo, porque havia lá em casa e lembrei-me de que gostavas muito", os elogios mimosos, as pequenas trocas de palavras ou os abraços apertados dados de fugida quando já estamos atrasados ou os pequenos gestos, não importa. Continuamos a ser os amigos de sempre, nem que só tenhamos uma hora de almoço para passar juntos ou cinco palavras trocadas num corredor em alvoroço. Sabemos que podemos contar uns com os outros e isto é extraordinário. Contento-me com o que tenho e aproveito cada pedacinho, é tão bom! Continuam a ser o porto mais seguro e não poderia pedir mais nem melhor


TRAVEL GUIDE: BUDAPESTE | Memorial dos Sapatos

O monumento dos sapatos é um essencial para os apaixonados pela História da Humanidade, para os amantes da cultura judaica ou simplesmente para os cidadãos do mundo. Pode parecer algo estranho, tantos sapatos à beira do rio Danúbio mas tem uma explicação e eu achei este ponto turístico muito interessante e extremamente importante e relevante. 

São várias dezenas de sapatos diferentes: dos saltos às botas e dos sapatos de vela aos rasos e aos de criança, são imensos, todos em ferro, uns com par e outros sem par e têm um significado não muito complexo: simboliza quando os judeus foram obrigados a despir-se dos seus bens e pertences (incluindo os sapatos, que retiraram) e foram fuzilados ali. Sim, ali mesmo. E foram de seguida atirados ao rio sendo que o que restou foram os sapatos e os pertences na margem. É de cortar a respiração mas extremamente poderoso. Dá um aperto no coração e se não estivéssemos com um grupo tão grande e num espírito tão alegre eu tinha desabado. É forte e intenso apesar de simples. Os sapatos são acompanhados de flores, de pedras e de velas e é ainda mais intenso se nos sentar-mos bem ao pé das várias e pequenas esculturas e examinar-mos o quão sortudos somos de viver na sociedade e no mundo que vivemos hoje. É tocante e sufocante mas estupendo.









EAT&DRINK | Máfia das Pizzas

Por norma não costumo ir a muitos restaurantes pois são poucos os que me servem comida melhor que a minha mãe, sem brincadeiras, ou simplesmente vou para desenrascar. E a Máfia das Pizzas é mesmo daqueles sítios que eu saio de casa para comer. Fica na rua principal de Cacilhas logo é muito fácil de alcançar se apanharem o cacilheiro no Cais do Sodré e atravessarem para a outra margem e aí têm as minhas pizzas favoritas.

À italiana, com ingredientes frescos, massa fina e cozida a lenha, para ser perfeito só falta mesmo alguém com quem repartir. As pizzas são a especialidade mas recomendo vivamente as massas cheias de sabor que derretem na boca, é maravilhoso! É um local muito movimentado, onde recomendo sempre que reservem uma mesa para não ficar na fila à espera pois é um lugar muito concorrido! E apesar de ser extremamente saboroso acho os preços demasiado altos, que só se justificam de vez em quando. A Máfia é um espaço simpático para refeições tanto para grupos mais pequenos como maiores. Não tenho quais queres queixas do serviço ou da comida em sim pois das duas vezes que lá fui esteve sempre tudo impecável!


TRAVEL GUIDE: BUDAPESTE | Matthias Church

Para além da sinagoga de Budapeste (da qual vos falarei mais à frente), esta igreja foi o único local de culto que visitei na cidade, que não é muito conhecida pelos seus edifícios religiosos, sejamos sinceros. Foi um daqueles locais onde não esperava nada de novo, pois já visitei imensas igrejas diferente, apesar de intemporais e incríveis, mas estava enganada, eu nunca tinha entrado numa deste estilo. Mesmo ao lado do maravilhoso miradouro do Bastião dos Pescadores, temos uma igreja imponente pela verticalidade e altura que te pisca logo o olho à distância e pelos detalhes tanto do edifício exterior (e o telhado, oh my god!!)  como da praça com uma estátua no centro que a aconchega.

Uma igreja de estilo neo gótico, que como é óbvio é extremamente decorada. Mas apesar de tudo os padrões complementam-se e não ficam assim tão mal juntos e as pinturas feitas à mãos estão tão bem conservadas, são impressionantes. Apesar dos vitrais (alguma vez vos confessei que sou doidona por vitrais?), achei uma igreja muito escura e também por isso as fotografias do interior não fazem jus de como era por dentro.

Fica bem no coração do distrito do castelo, foi reconstruida dos escombros várias vezes e caracteriza muito bem a história deste país pois foi palco de diversos episódios marcantes. Podemos observar no seu interior bustos das rainhas, peças decorativas de renome e uma coroa real de impor respeito somente de olhar. Foi curtinho mas delicioso!











BEAUTY | Vanilla Chai Body Butter

Eu sempre ouvi maravilhas dos produtos da The Body Shop e apesar de já ter experimentado os lip balms (que são maravilhosos!) tinha curiosidade pelas linhas, os cheiros, as edições limitadas, tudo! É uma marca que está muito presente no universo dos blogues e do youtube e na minha última viagem vi uma excelente oportunidade para adquirir um dos produtos. Para mim Budapeste tem um som, um cheiro e um sabor e este dois últimos são da mesma coisa: Chai Tea Latte do Starbucks que bebi inúmeras vezes enquanto explorava a capital húngara e que me aqueceu as mãos das temeperaturas negativas. Trouxe o Body Butter de Vanilla Chai que apanhei numa promoção da The Body Shop de lá como souvenir, para trazer um bocadinho do cheiro que para mim identifica Budapeste.

Baunilha com uma miscelânea de especiarias, um travo queimado mas doce que prevalece na pele com uma ínfima camada. É uma manteiga corporal leve que se espalha facilmente e que hidrata profundamente. Adoro aplicá-la depois do banho e adoro ver a forma tão natural como a minha pele a absorve e o cheirinho que vai deixando ao longo do dia. Tenho imensa pena que já não o possam encontrar à venda por ter feito parte da edição limitada de Natal da marca, mas felizmente adquiri-a por volta de dez euros.

Cada vez que abro o recipiente e o cheiro incrivel se apodera de mim, vêm me memórias das ruas que percorri de Chai Tea Latte na mão, dos momentos felizes e das gargalhadas. Os cheiros podem despertar tanto e eu não tinha noção disso. Abrir este pote é um gatilho para momentos felizes e livres de preocupações, a que mais poderiamos querer que cheirasse um creme?


TRAVEL GUIDE: BUDAPESTE | Fisherman's Bastion

Fotografias tipo postal de Budapeste? Este é o melhor local para as tirar. Não muito longe do castelo e bem ao lado da Matthias Church (os nomes dos locais soam muito melhor em inglês) temos uma varanda debruada sobre a encosta para o Danúbio. Tem uma das melhores vistas panorâmicas para a parte de Peste e tem uma arquitectura pouco convencional nesta zona da Europa. Houve quem dissesse que lembrava os torreões do logótipo da Walt Disney mas para mim assemelha-se mais a castelos na areia. O Fisherman's Bastion tem extensos corredores, inferiores e superiores que providenciam uma vista espectacular, tanto de noite como de dia. Para mim é mais bonito e mágico de noite apesar de continuar a ser incrível visualizar as cores contrastantes de ambas as margem em qualquer altura do dia.







January'17

Janeiro começou numa aldeia minúscula com amigos e 2017 não podia ter começado de melhor maneira! Divertimo-nos imenso e comemos muito! Depois passou para o estudo intensivo, para o inicio do segundo período e para a rotina escolar mas isso rapidamente se alterou quando dei por mim a fazer malas (adooooro fazer malas de viagem) para embarcar numa aventura espectacular e inesquecível. Em Janeiro cumpri um sonho que estava geminado em mim há muitos anos: fazer intercâmbio escolar. E por isso fui viver uma semana com uma família húngara e pude explorar Budapeste numa perspectiva mais de habitante e não tanto de turista e tive a oportunidade de visitar Viena que é numa só palavra deslumbrante (hei de vos falar desta cidade mais à frente.) A Hungria foi mesmo o ponto alto deste mês e de certeza que será dos pontos altos deste ano porque foi uma viagem como nunca fiz. Foram a parvoeira e as piadas, as lutas de neve, as conversas filosóficas, a cultura, a língua e uma moeda muito distintas..! Foi extremamente enriquecedor e guardo momentos espectaculares no coração, mesmo. Mas Janeiro também foram os mil e um aniversários, os passeios e as roupas quentinhas. Foi um mês de sentimentos esquisitos e de felicidade genuína e de preocupações quase nulas. Foi a mini-constipação, as velas e a lareira acesa e as bebidas quentinhas na mão, Foi bom enquanto durou. Agora é tempo de me voltar a empenhar nos estudos. Que Fevereiro seja estupendo para todos vós! 


E assim sem dar conta chegámos aos 100 seguidores! Milhões de obrigadas! 

TRAVEL GUIDE: BUDAPESTE | Szentendre

Szentendre é uma vila não muito longe de Budapeste onde fomos passar uma manhã. Não é uma vila muito movimentada sobretudo no inverno, numa manhã de semana. Quase que tínhamos a vila por nossa conta apesar de achar que é extremamente movimentada nos meses mais quentes. Está cheia de locais perfeitos para aquecer a alma e as mãos num chocolate quente e de lojinhas pouco convencionais e interessantes. Esta vila difere da capital em si pelas casas coloridas e pelo piso mas também pelas pessoas de lá que se mostraram muito mais calorosas. Tem uma igreja católica e uma ortodoxa uma ao lado da outra e é super interessante comparar ambas lado a lado. Szentendre fica bem na margem do Danúbio e foi aqui que contactei verdadeiramente pela primeira vez com neve e gelo na Hungria e foi mesmo muito divertido!






TRAVEL GUIDE: BUDAPESTE | Iceskating & Heroes Square

Decidi juntar a pista de gelo e a Praça dos Heróis pois são dois sítios facílimos de visitar um a seguir ao outro já que são mesmo ao lado um do outro! Fomos patinar no gelo na pista de gelo do parque da cidade e bem... foi engraçado, excepto as minhas cinco quedas (cujas nódoas negras se mantém até hoje). Podem trazer os vossos patins ou alugar uns, guardar os vossos pertences nos cabides e seguir para a pista de gelo! É enorme e real (ringues artificiais, isso come-se?) e tem sempre imensa gente. Não é fácil, é muito mais complicado que o que aparenta mas tive excelentes professores a ajudar-me e a ensinar-me. Patinar no gelo é algo que os húngaros aprendem quando ainda são muito pequeninos e é extremamente natural para eles e para além disso ao invés de nós que praticamos futebol, ginástica, natação, eles fazem corrida de velocidade em gelo, patinagem artística ou hóquei por isso eles eram mesmo os melhor instrutores. As quedas fazem parte mas nunca deixa de ser divertido, e é normal mal te conseguires por em pé enquanto que as pessoas à tua volta estão a andar de costas, a fazer piruetas ou de mãos nos bolsos, é absolutamente normal, nós é que não estamos habituados a tal coisa. Para eles isto é algo comum de um domingo em família e eu achei isso super interessante. 


Após umas boas horas a escorregar e tentar não cair seguimos para a Praça dos Heróis, uma das praças icónicas da cidade e um sítio que têm que visitar obrigatoriamente numa visita a Budapeste. Mas é que é mesmo imperativo! Como o nome indica é para enaltecer os heróis húngaros entre eles reis, líderes das tribos que fundaram a Hungria e outras personalidades importantes que estão representados nas estátuas. Foi construído para celebrar o milénio da fundação da Hungria e é fenomenal para tirar fotografias e é um dos pontos mais turísticos da capital húngara!

TRAVEL GUIDE: BUDAPESTE | Museu do Holocausto

Para começar esta série de publicações sobre a cidade incrível que me acolheu durante uma semana para uma das experiências mais enriquecedoras e espectaculares que já tive, escolhi um dos locais que mais gostei de visitar e um dos que estava mais curiosa: o Museu do Holocausto. Como é óbvio refere-se ao massacre histórico que ocorreu durante a II Guerra Mundial e foca-se muito nos judeus húngaros. É um tema que me interessa imenso apesar de ser muito sensível a tal.

Por segurança na entrada faz-se controlo tal como nos aeroportos e a seguir passamos para uma parte intermédia onde tem paredes e paredes repletas de nomes de judeus húngaros mortos no holocausto. São milhares e milhares e logo aqui eu soube que não me ia conter. Junto a estes estão muitas pedras que os que passam deixam. Na cultura judaica deixam-se pedras em vez de flores pois as pedras mantém-se para a eternidade e as flores morrem (inteligentes!). Após esta parte entrámos verdadeiramente no museu.




Podemos observar objectos recolhidos como bonecas, canetas, óculos entre outros. Filmes de histórias pessoais e imensos textos e fotografias (Para ser honesta, eu não consigo ler tudo o que há para ler nos museus, mas ali foi diferente, eu absorvi tudo porque senti que era algo que eu precisava) e depois fomos levados por um corredor onde ao nosso lado se viam as sombras daqueles que caminhavam por entre os caminhos de arame farpado para morrerem (e sim, quase que colapsei).  Nesta parte o chão vai descendo através de rampas o que simboliza o caminho para o fundo, a parte mais negra e sombria.


Depois disto vieram os diários das crianças (incluindo o de Anne Frank) e foi aqui que não me consegui controlar e chorei como não chorava há muito. As vitrinas com os "pijama às riscas", as estrelas de seis pontas e os recipientes do gás que dois ou três davam para matar dois mil judeus húngaros. Algo tão misero e pequeno que podia acabar com a vida de duas mil pessoas inocentes alvo de algo tão atroz e injusto. Esta foi a pior parte. Estávamos na parte mais baixa do museu e o barulho de fundo era o bater do coração e sinta-o como se fosse o meu. Tinha os nervos à flor da pele e um nó enorme na garganta. Nas imagens abaixo podem ver o que mais me fez chorar: o texto de um diário (o de cima, especialmente), o recipiente do gás e a estrela.




Já bem no final havia um filme extremamente gráfico onde demonstravam as experiências médicas, as valas comuns e muitas outras situações. Muitos vieram-me dizer "Leonor, não vejas isto", eu peguei num banco e fui me sentar a ver porque era algo que eu sentia que precisava de fazer. Como a Carolina diz, são murros no estômago extremamente necessários e eu precisava exactamente disto. O museu sobe por umas rampas e termina numa parte mais elevada que simboliza a superação. As paredes deixaram de ser cinzentas e passaram a ser brancas e pode-se ler histórias de superação daqueles que sobreviveram a este atentado contra a Humanidade. Após isto ainda podem visitar a sinagoga presente dentro do museu.



Foi um local muito duro e pesado e os miúdos que entraram lá naquele espírito português de sempre em festa e sempre a rir e a brincar saíram de lá quietos e em silencio e isto demonstra o poder que isto tem sobre nós. Foi extremamente enriquecedor e fez-me aprender que ainda tenho que levar muitos socos na cara para conseguir visitar um campo de concentração que é algo que quero imenso. Sou muito sensível a este assunto e quero imenso agradecer ao pessoal que me veio abraçar enquanto lia e chorava ainda mais. Foi chocante mas necessário e recomendo com cada pedaço do meu ser a visita a um centro destes.